O que é a produção biológica?

26-03-2021

Porque é que afinal no Granel da Sofia damos preferência a produtos de origem biológica?

Será que são assim tão diferentes dos produtos tradicionais?

Afinal, o que é a produção biológica?

Vamos passar a responder a todas estas questões, e mais algumas que surjam.

Recorremos ao portal da Kiwa Sativa (um organismo de certificação que desempenha funções de controlo e certificação de produtos) para poder explicar da forma mais correta e simples possível, o que é afinal a produção biológica.

Assim, o modo de produção biológico é um sistema de gestão de explorações agrícolas e de produção de alimentos que favorece a proteção dos recursos naturais, promove a biodiversidade e aplica normas de bem-estar animal.

Mas mais concretamente, o que diferencia a agricultura biológica, da tradicional? A produção em modo biológico pode aplicar-se à produção vegetal e à produção animal.

De forma resumida, a produção vegetal em modo biológico:

- Contribui para a manutenção dos solos e aumento da sua fertilidade;

- Protege os solos da erosão;

- A produção animal fornece os nutrientes e matéria orgânica necessárias à agricultura em modo biológico;

- A utilização de fertilizantes, pesticidas e medicamentos de uso veterinário é restringido (todos os produtos que podem ser utilizados estão bem definidos, bem como as situações em que podem ser utilizados e as respectivas quantidades máximas no Anexo I do Regulamento (CE) 889/2008);

Relativamente à produção animal em modo biológico:

- É garantido o acesso dos animais a espaços ao ar livre ou a pastagens;

- São respeitadas as necessidades comportamentais de cada espécie animal;

- A gestão animal é assente na prevenção de doenças;

- São priveligiadas as raças autóctones, adaptadas às condições locais;

- Assim como na produção vegetal em modo biológico, a utilização de fertilizantes, pesticidas e medicamentos de uso veterinário é restringido (todos os produtos que podem ser utilizados estão bem definidos, bem como as situações em que podem ser utilizados e as respectivas quantidades máximas no Anexo I do Regulamento (CE) 889/2008);

- Ainda relativamente a fertilizantes e pesticidas, é favorecida a utilização de produtos provenientes de agricultura biológica, substâncias naturais ou derivadas e fertilizantes minerais e baixa solubilidade;

- Os produtos biológicos são livres de OGM's (Organismos Geneticamente Modificados);

Relativamente aos fertilizantes e corretivos do solo autorizados, deixamos abaixo alguns exemplos, a lista completa pode ser consultada no Anexo I do Regulamento (CE) 889/2008):

  • Estrume seco e estrume de aves de capoeira desidratado (produtos provenientes de explorações pecuárias <<sem terra>> proibidos);
  • Resíduos domésticos compostados ou fermentados (Produto obtido a partir de resíduos domésticos separados na origem, submetidos a compostagem ou a fermentação anaeróbia para produção de biogás Resíduos domésticos exclusivamente vegetais ou animais Unicamente os produzidos num sistema de recolha fechado e controlado, aceite pelo Estado-Membro Concentrações máximas em mg/kg de matéria seca: cádmio: 0,7; cobre: 70; níquel: 25; chumbo: 45; zinco: 200; mercúrio: 0,4; crómio (total): 70; crómio (VI): 0);
  • Turfa (Utilização limitada à horticultura (produção hortícola, floricultura, arboricultura, viveiros);
  • Resíduos de culturas de cogumelos (Composição inicial do substrato limitada a produtos do presente anexo);
  • Excrementos de minhocas (lombricomposto) e de insectos;
  • Serradura e aparas de madeira, Casca de árvore compostada, Cinzas de madeira (Madeira sem tratamento químico após o abate);
  • Fosfato natural macio;
  • Oligoelementos; 

Já relativamente aos produtos fitofarmacêuticos (pesticidas), todos os produtos autorizados bem como os requisitos de composição e condições de utilização, estão disponíveis no Anexo II do mesmo regulamento (Regulamento (CE) 889/2008).

Deixamos abaixo alguns exemplos:

 Substâncias de origem vegetal ou animal:

  • Azadiractina extraída da Azadirachta indica (Neem);
  • Cera de abelhas (protecção de feridas resultantes de podas e enxertias);
  • Óleos vegetais (por exemplo, óleo de hortelã-pimenta, óleo de pinheiro, óleo de alcaravia (insecticida, acaricida, fungicida e inibidor do abrolhamento);

Outras substâncias tradicionalmente utilizadas na agricultura biológica:

  • Etileno (maturação de bananas, quivis e diospiros; maturação de citrinos apenas como parte de uma estratégia para a prevenção dos danos causados pela mosca da fruta em citrinos; indução floral no ananás; inibição do abrolhamento em batatas e cebolas);
  • Óleos minerais (i, fungicida; apenas em árvores de fruto, vinha, oliveiras e culturas tropicais - por exemplo, bananas);

De forma a assegurar que os produtos biológicos cumprem todos estes critérios (seja na fase de produção, preparação ou distribuição), cada produto tem de ter um certificado de modo de produção biológico.

Todas estas directrizes são baseadas no referencial europeu de agricultura biológica, que é constituído pelos seguintes Regulamentos: Regulamento (CE) n.º 834/2007 e Regulamento n.º 889/2008.

Todos os certificados de produção em modo biológico válidos estão disponíveis para consulta pública na plataforma bioC, que é um diretório para operadores biológicos certificados. Aqui os consumidores e os revendedores (como é o nosso caso), podem consultar os certificados e atestar a sua validade e a que produtos se aplicam.

No Granel da Sofia acreditamos que a transparência com os nossos clientes é fundamental, e por isso mesmo, temos disponíveis para consulta, os certificados de produção biológica dos nossos produtos, basta solicitar.
Vamos disponibilizando nas fichas dos produtos do nosso site, o número do certificado de produção biológica, para que os clientes os possam consultar online se assim o desejarem.

Em suma, para nós faz todo o sentido optar sempre que possível por alimentos que respeitem e preservem o meio envolvente onde foram produzidos. Há que produzir alimentos sem danificar (e melhor ainda: protegendo) os solos ou os lençóis freáticos, garantindo que esses recursos permanecerão sempre de boa saúde.

A produção em modo biológico com a respetiva certificação, é mais uma garantia de que os processos envolvidos na produção dos alimentos respeitaram efetivamente as normas desenhadas para a produção biológica, e que em última análise garantem a proteção dos recursos utilizados.

Na nossa opinião, é igualmente importante que se respeitem as épocas de produção de cada alimento. Desta forma obtemos alimentos mais ricos do ponto de vista nutricional e mais saborosos.

Artigo escrito por Rita Bravo Rodrigues, mãe da Sofia.

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